2017 – IFCE, inteligência e rapadura!

IFCE, inteligência e rapadura!
(Este artigo foi publicado no jornal O POVO em 23 de setembro de 2017)

Esta eu sempre conto em sala de aula. Um amigo meu, ao entrar no metrô na
Finlândia, apura a vista em uma placa: ”local de passagem livre para quem não pode
pagar”. Aí resolve perguntar à funcionária se alguns que poderiam pagar não
“abusavam” da passagem livre. Ela, surpresa, responde: “por que alguém faria isso”?

Somos um país nocauteado na moralidade por políticos que desfilam suas Samsonites
propinadas com 500 mil (primeira parcela). Estamos de joelhos em nossa autoestima,
quando o presidente da República é cumplice de marmotas com empresas e de
negociatas no Congresso. De quem é a culpa?… De todos nós que votamos em
“amigos” e defendemos ideologias políticas que se confundem com interesses
pessoais (tu né assim não, mah?).

Porque somos como somos? Tomara que a geração de minha neta Laís se livre da
gambiarra do jeitinho brasileiro, de “levar vantagem em tudo”, lute contra injustiças
que não a atinge, troque “cordas” que enforcam sonhos pelas que salvam, levantam,
erguem!

A saída? Educação de qualidade! Na mesma Finlândia, 87% dos adultos concluem o
ensino médio. Seus estudantes são campeões do PISA, teste internacional que avalia
leitura, matemática e ciências (recentemente, o Brasil amargou a 66ª posição em
matemática entre 72 países avaliados).

Mas existe um “túnel no final da luz”! Neste rumo da venta, educação de qualidade é o
que não falta no IFCE. A exemplo de milhares, sou grato a esta “casa de excelentes”
onde fui aluno, atleta, professor, coordenador e diretor geral. E é dela que trago boas
notícias: por 4 vezes em setembro os alunos do IFCE Aracati pagaram todos os picolés
(“por que alguém não faria isso”) na sorveteria Zé de William, um projeto criado em
2003 onde se paga sem fiscalização…  bolsa paga por um empresário, via Embrapii, representa a venda de à moda “político de Helsinque”. Ainda mais!

Nos projetos do Polo IFCE/Embrapii, as bolsas de pesquisa são financiadas por
empresas que confiam na inteligência local. Há um simbolismo forte nisso, tal qual um

livro comprado em uma livraria: uma“conhecimento” em uma cidade do interior que, até então, só vendia “rapadura”.

Foi com educação de qualidade e vendendo conhecimento que a Finlândia conseguiu
chegar lá, na contramão do apartheid educacional e da economia de “rapadura”. Este
modelo é também combatido por este fantástico IFCE que hoje completa 108 anos.
Ei, Seu Nilo Peçanha (1909), valeu hein!

Mauro Oliveira, Pesquisador

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Este artigo é dedicado ao meu amigo Samuel Brasileiro Filho, ex-diretor geral da ETFCE –  Escola Técnica Federal do Ceará, hoje IFCE – Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do  Ceará , onde foi aluno e bolsista do saudoso Prof Suetônio Teixeira Mota, fundador do curso de Química Industrial.

Samuel Brasileiro é professor titular do IFCE e membro do Conselho Estadual de educação do Ceará. Doutor em Educação pela UFC, tem mestrado em Computação pela UECE, especialização em Gestão em Educação Tecnológica pela Oklahoma State University (EUA).

Ex-presidente do Instituto CENTEC, Prof Samuel foi homenageado pelo Conselho Regional de Química do Ceará, recebendo diploma de honra ao mérito, em solenidade realizada no dia 23 de junho de 2015, na capital cearense. A escolha do docente do IFCE se deu pelo importante papel do profissional no desenvolvimento das atividades de natureza química no Ceará, e para a consolidação da profissão. Samuel graduou-se em Química pela UFC, em 1984, e conta com mais de 30 anos de atividades docentes.

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2017 – Ah, se eu fosse milionário…

Ah, se eu fosse milionário…
(Este artigo foi publicado no jornal O POVO em 15 de julho de 2017)

Como qualquer beradeiro dos anos 1970, tempo em que os jovens acreditavam numa
política decente, comprei todos os discos LP (vinil) da MPB e dos Mestres. Desde
então, o violino de Vivaldi e a sanfona de Seu Luiz, filho de Januário, me cutucam feito
a espada mágica de Merlin em Excalibur.

Vivaldi tem algo de inebriante. Abri minha última aula com “Inverno”, minha preferida,
antes d´eu falar em bits e bytes. Um professor acaba levando à sala um pouco de sua
alma momentânea. Afinal, a aula é uma arte que imita a vida… ou será o contrário?,
diria Oscar Wilde!

Perguntei a meus alunos o que fariam se fossem milionários. Já tava meio sorumbático
com as respostas, até que o Nicodemos quebra a corrente, “o mundo sou eu”, e se
lembra do Bill Gates. Em 2000, Gates deixa a Microsoft e cria uma Fundação que
promove pesquisa sobre a aids e outros massacres aos irmãos da África. Em
2006, Warren Buffett, outro mais rico do mundo, contribui com US$ 30
bilhões, apoiando a Fundação do “concorrente”. No século 18, John Harvard lega a
metade do seu patrimônio ao que viria a ser a primeira universidade americana.

Por que no Brasil nossos bilionários não fazem parecido? Cultura, educação ou
ganância? Basta reparar numa noite estrelada do Cosmos de Carl Segan e perceber
que somos o “cocô do cavalo do bandido” na imensidão Láctea. Acumular, acumular,
acumular… Diga aí, mah, algo mais besta do que morrer bilionário? Quem se livrou do
“fogo dos infernos” e do negócio da “vida eterna” sabe bem: nada mais divino do que
melhorar a vida do outro! Quem são os nossos Gates, Buffetts e Havards brasileiros… e
os cearenses?

Eu me faço esta pergunta sempre que um jovem esquelético limpa o vidro do meu
fusquinha 4×4, esfomeado à cata de míseros centavos que, via de regra, costumamos
negar com a empáfia de um dedo indicador feito limpador de para-brisa. Quantos
destes jovens, “estrelas cadentes” imundas ao léu, seriam cidadãos de bem se a
soberba bilionária os iluminasse, feito a magia de Vivaldi?

Quanto custa a um bilionário dar ao jovem de rua a mesma oportunidade dada pela
“Dama do Lago ao Rei Arthur”, sua nobreza, a chance divina de um jovem de rua
retirar a espada cravada na pedra, sua dignidade!
Ei, e você aí, o que faria se fosse milionário?

Mauro Oliveira
Professor IFCE e pesquisador FUNCAP

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Este artigo é dedicado ao meu amigo Eduardo Diatahy Bezerra de Menezes, com quem tenho o privilégio, de vez em quando, de trocar e-mails e sorver um “rouge” ( mis en bouteille au château, bien entendu ) enquanto ouço seu sorriso farto e inteligente. Bacharel Pedagogia e em Letras Neolatinas pela UFC, Diatahy tem Especialização em Epistemologia Genética e Sociologia na Sorbonne, Especialização em Pesquisa Educacional na USP.

Fez seu Doutorado em Sociologie de La Connaissance – Université Francois Rabelais, de Tours-França e Pós-Doutorado em História Antropológica, com Jacques LE GOFF e equipe do Grupo do Imaginário Medieval, da EHESS (École des Hautes Études en Sciences Sociales), Paris. Atualmente, Diatahy é Professor Titular da UECE e Professor Emérito da UFC.

É membro efetivo do Instituto Histórico do Ceará, da Academia Cearense de Letras e da Academia Cearense de Ciências. É também membro titular da A.I.S.L.F. (Association Internationale des Sociologues de Langue Française). Participa do Conselho Editorial de duas dezenas de periódicos acadêmicos.

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2017 – “Modéstia às favas”, Gilmar Mendes pagaria o picolé?

“Modéstia às favas”, Gilmar Mendes pagaria o picolé?
(Este artigo foi publicado no jornal O POVO em 17 de junho de 2017)

Nadar no mar de Canoa me acalma o espírito! Foi o que fiz de imediato quando Dona
Gelita, 97 nos couros, teve uma pilora (diabeisso?) de baixar hospital. Enquanto fazia a
estrada Canoa-Mucuripe, a ansiedade de encontrá-la bonita & joiada se inebriava, em
minha cocuruta, ao Netflix de sua vida: seu cuidado com o rebento; sua casa próxima à
Assistência Municipal, de mesa farta aos comensais; seu sorriso airoso de lavanda
Johnson; uma mãe sapiens num seriado sem fim.

Divagações holísticas fizeram-se fortes como as marés de ano novo no calçadão da
Beira-mar. A saga de Dona Gelita me levara a matutar sobre as oportunidades que nós
alunos, professores, juízes… perdemos de melhorar o mundo. Afinal, a vida é efêmera
(ou não) e inexorável (ou sim). E nos surpreende a cada momento.
Com efeito, na semana anterior tínhamos comemorado no IFCE Aracati algo singular:
pela primeira vez todos os picolés da Sorveteria Zé de William foram pagos pelos
alunos. Explico: nessa sorveteria, inventada pelo Engº José William da Coelce, em
1974, o aluno pega o picolé e paga R$1,00 sem fiscalização alguma, nem eletrônica,
nem pessoal.

Paradoxalmente ao fato, na sexta-feira, 9 de junho, enquanto os alunos frente à
Sorveteria honravam sua Escola, o presidente do TSE nocauteava seu País. Sua “obra
de demolição progressiva do respeito público pela Justiça usa o escárnio agressivo
como arma do facciosismo … joga no lixo provas de tribunais superiores” (Jânio de
Freitas, Folha 15/06/17). Foi um trágico 4×3 (de enrubescer qualquer 7×1) na
contramão de uma Justiça/MP/PF ousada que, de forma inédita na “terra brasilis”,
colocara bandidos do andar de cima na mesma gaiola dos ladrões sem colarinho
branco.

Coitado deste doutor das letras que se fez aprendiz da moral ao perder a fantástica
oportunidade de pagar “seu picolé” diante de plateia tão carente de alento… “pátria
mãe tão distraída/sem perceber que era subtraída/ em TEMERbrosas transações”. (Ah,
página infeliz de nossa história… Vai passar, né, Seu Chico?)
Em tempos de corrupção, a Escola é a solução! É a frase que os alunos na Sorveteria do
inesquecível Doutor Zé de William legaram ao esquecível Doutor Gilmar Mendes. O
tempo lhe fará justiça… “modéstia às favas” (SIC, by Gilmar)!

Mauro Oliveira, Professor

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Ao MESTRE… COM CARINHO ! Este artigo é dedicado ao MYRSON da tia Regina, o queridinho tio das minhas Carolinas. Myrson Lima, referência do vernáculo no Ceará, foi meu professor e colega na ETFCE (por isso eu , NUNCA separo o sujeito do verbo… rsrsrs). Membro da Academia Cearense da Língua Portuguesa e autor do best-seller “Essencial do Português” (ABC Editora, 7ª edição), este meu amigo é um dos mantenedores do projeto Pequeno Mundo, no Padre Andrade.

Myrsão é sempre sorriso aberto, energia farta, piadas inteligentes, generosidade à flor da alma! Felizes os felizardos (serei repreendido por esta “metonímia”… rsrsrs) que tiveram a felicidade (de novo a “catacrese”… sei lá!) de ser (ou serem… rsrsrsr) seus alunos.Agora, imaginem eu que tenho o privilégio de ser seu amigo!
Obrigado meu professor. Meus artigos têm sua marca!

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2017 – “Bença”, pai! Tá pegando fogo …

“Bença”, pai! Tá pegando fogo …
(Este artigo foi publicado no jornal O POVO em 20 de maio de 2017)

Saudade de você, meu velho! Seus netos vão bem e Dona Gelita continua espirituosa
aos 97. Ela inventou agora de mudar a reza: “Salve o Brasil, mãe misericórdia, bendita
doçura…”. Apesar da coisa pegando fogo, os políticos continuam “jogando futebol,
com muito samba nosso dinheiro e rock’n’roll”. Lá se vão as últimas, pai:
Alimentação: a “Carne é Fraca” ou o boato era forte? Na dúvida, o Presidente tinha
levado embaixadores para uma churrascaria (uruguaia, pense!). Era o governo da
piada pronta! Agora, virou o governo da cabeça pronta … pra guilhotina (charge O
POVO 19/05/17).

Espionagem: Eduard Snowden, porta-voz da Google, revela que foi tudo brincadeirinha
e que os EUA jamais grampearam a Dilma. Palavra do Trump… com aval do Putin!
Dizem até que o Temer ao “proteger” o Cunha quis imitar o Trump “protegendo o
“Flynn”. Afinal, o que é bom para os EUA é bom para o Brasil… Hum!
Facebook: apesar de muitos esquecerem o mandamento número um das redes sociais,
“não postarás com um copo à mão” (Leando Karnal que o diga), elas estão cada vez
mais autênticas e instrutivas! Excelentes para o ENEM.
“Educasão”: tá melhorando. Basta olhar as redes sociais. “Há turma forão a treis mez
atrás, menas vez dava pra mim ir, mais vai dá serto” (jogo dos 15 erros).
Militantes: estão ficando cada vez mais tolerantes! Poste uma crítica nas redes sociais
que eles ouvem, interpretam bem, dialogam numa boa sem lhe rotular… seu “coxinha
mortadela” abestado.

Economia: Lembra da Petrobrás criada pelo Getúlio, pai? Continua sendo nosso
orgulho no exterior… dando lucro a JBS! O “petróleo é nosso”… e Pasadena também!
Policiais: Por outro lado, pai, no seu tempo rico e político não iam pra cadeia! Parece
que o Marcelo Odebrech, Eike Batista, Cunha e o Cabral concordam não.
Arrependidos, estão até pensando em criar uma ASFP – Associação sem fins
Propinativos. É pagar pra ver!

Lembro, meu pai, que o senhor também contava boas histórias do Liceu do Ceará, do
Colégio Batista, da Escola Técnica, lugares por onde o senhor passou, Escolas de onde
o senhor acreditava sairia um Brasil melhor, Escolas Pra Valer !
Por isso é que… desisto é po**a! “Eu sinto os passos de outro Brasil que vem aí, mais
tropical, mais fraternal, mais brasileiro”, dito pelo Gilberto Freyre em … 1926.
Abração no poeta do Mucuripe chegando por aí. “Bença”, pai!

Mauro Oliveira, Professor

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Este artigo é dedicado à Carina & Rei, um casal “inexoravelmente” feliz, definitivamente tranquilo, confortavelmente de bem com a vida, com os amigos e com a família que tanto amam. Carina & Rei têm sido para os seus alunos um modelo de um Brasil que pode dar certo, que tem que dar certo, que vai dar certo.

“Não se avexe não, que amanhã pode acontecer inclusive nada”

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Por quem os políticos dobram ?

Por quem os políticos dobram ?
(Este artigo foi publicado no jornal O POVO em 30 de nov de 2016)

É fim de madrugada. A linha que separa o mar e o céu, lá longe onde a terra quebra,
sustenta nuvens que saem de dentro do infinito. O sol matinal se anuncia um tanto
apressado, como quem foge pela janela da amante. O frescor do vento alisa meus
cabelos feito mãos de noiva na véspera. O cheiro de maresia à tarde me embriaga de
paz, tal colo de mãe, dilatando meu sorriso Kolynos (Ah!). O som da maré é meu
mantra preferido. Abro os olhos. O dégradé da noite revela-me amores esquecidos,
enquanto jangadas solitários espreitam, em vigília, a enseada violentada pelo neon dos
bares do Mucuripe. Ora direis, Augusto Pontes: “Vida, vento, leva-me daqui”!

Caminho pés na areia, encontro o casal de alemães e sua sacola de “mercantil” cheia
do lixo deixado na praia pelos contumazes. Mais à frente, mestre Santiago me espera
para uma prosa em sua jangada. Suas velas, prontas para o take off, explodem ao
vento como a felicidade dentro de mim. De longe, mestre Santiago já me aponta para
seu amigo Manolin: lá vem o professor! Fico impressionado com seu vigor ao levantar
os troncos que rolam a jangada até o mar. Quanta coragem nos 5, 10, 40 km mar a
dentro! E quando a velhice não mais lhe permitir o peixe nosso de cada dia?

Mestre Santiago tem em grande conta todo professor. E me elogia tanto que chego a
ter “pena de mim”. Não imagina que não nasci para o ofício. Que sou do tipo de levar
vantagem em tudo (lei do Gerson). O meu descaso com o contribuinte chega ao ponto
d´eu fazer greve e ficar em casa. Arrodeio alunos que me parecem complicados. Passo
logo todo mundo pra não ter prova final. Na verdade, eu gosto da escola é nas férias.
Se pudesse nem daria aula… tou nem aí!

Decidi contar ao mestre Santiago que nem todos nós professores somos quem “o
imperador do Japão referenciaria”. Corri manhã seguinte ao seu encalço. Mas …! Uma
multidão agitada, feito pinguins ansiosos, aguardava esperançosa seu barco que
teimava em não chegar. Quis chorar a perda do mestre mas me contive, pareceu-me
banal. Na noite anterior um ministro chorara a perda de um apartamento na Bahia… e
o pouco que restara de sua reputação.

Mauro Oliveira
Professor

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Este artigo é dedicado ao meu amigo Jorge Motta (dois Ts). Jorge foi, dentre outras mil responsabilidades governamentais, chefe de gabinete do Ministério das Comunicações a época em que eu fui Secretário de Telecomunicações, 2003/04. Jorge cuidou de mim como um quem cuida de um jardim, como um jangadeiro que volta à terra firme, como um pai que faz vigilância silenciosa e torce pelo filho! Obrigado Jorge.

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FAMA – FESTIVAL de ARTES e MÚSICA dos ALUNOS – IFCE Fortaleza

Aconteceu no  dia 01 de junho de 2018, no auditório Iran Raupp do campus de Fortaleza,  o I Festival de Música Mauro Oliveira (FAMA). A iniciativa, coordenada pelo professor Davis Macedo, tem como objetivo incentivar e promover a cultura na instituição e revelar novos talentos para a cena musical.

APOIO – BARCA Bodega das Artes Raimundo de Chiquinha do Aracati

Video oficial do FAMA: clicar no quadro acima ou em FAMA 

Ao Prof DAVIS MACEDO: agradecimento

>>>UMA PARTE<<<        >>>QUEM NÃO ERRA NÃO AMA<<<       >>>AMOR OU AMIZADE<<<

>>>EU ME DEI EU TE DEI<<<          >>>AMOR SEM COMPROMISSO<<<

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IFCE, inteligência e rapadura

(Este artigo foi publicado no jornal O POVO em 23 de setembro de 2017)

Esta eu sempre conto em sala de aula. Um amigo meu, ao entrar no metrô na Finlândia, apura a vista em uma placa: ”local de passagem livre para quem não pode pagar”. Aí resolve perguntar à funcionária se alguns que poderiam pagar não “abusavam” da passagem livre. Ela, surpresa, responde: “por que alguém faria isso”?

Somos um país nocauteado na moralidade por políticos que desfilam suas Samsonites propinadas com 500 mil (primeira parcela). Estamos de joelhos em nossa autoestima, quando o presidente da República é cumplice de marmotas com empresas  e de negociatas no Congresso. De quem é a culpa?… De todos nós que votamos em “amigos” e defendemos ideologias políticas que se confundem com interesses pessoais (tu né assim não, mah?).

Porque somos como somos? Tomara que a geração de minha neta Laís se livre da gambiarra do jeitinho brasileiro, de “levar vantagem em tudo”, lute contra injustiças que não a atinge, troque “cordas” que enforcam sonhos pelas que salvam, levantam, erguem!

A saída? Educação de qualidade! Na mesma Finlândia, 87% dos adultos concluem o ensino médio. Seus estudantes são campeões do PISA, teste internacional que avalia leitura, matemática e ciências (recentemente, o Brasil amargou a 66ª posição em matemática entre 72 países avaliados).

Mas existe um “túnel no final da luz”! Neste rumo da venta, educação de qualidade é o que não falta no IFCE. A exemplo de milhares, sou grato a esta “casa de excelentes” onde fui aluno, atleta, professor, coordenador e diretor geral. E é dela que trago boas notícias: por 4 vezes em setembro os alunos do IFCE Aracati pagaram todos os picolés (“por que alguém não faria isso”) na sorveteria Zé de William, um projeto criado em 2003 onde  se paga sem fiscalização… à moda “político de Helsinque”.  Ainda mais! Nos projetos do Polo IFCE/Embrapii, as bolsas de pesquisa são financiadas por empresas que confiam na inteligência local. Há um simbolismo forte nisso, tal qual um livro comprado em uma livraria: uma bolsa paga por um empresário, via Embrapii, representa a venda de “conhecimento” em uma cidade do interior que, até então, só vendia “rapadura”.

Foi com educação de qualidade e vendendo conhecimento que a Finlândia conseguiu chegar lá, na contramão do apartheid educacional e da economia de “rapadura”. Este modelo é também combatido por este fantástico IFCE que hoje completa 108 anos.

Ei, Seu Nilo Peçanha (1909), valeu hein!

Mauro Oliveira

Pesquisador FUNCAP

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Av Demócrito, 282 !

(Este artigo foi publicado no jornal O POVO em 29 de julho de 2017)

Imagine uma noite tinindo de boa, pessoas que você gosta de ver, palavras que lhe fazem bem ao espírito, energia no ar. Pois bem, foi assim a lançamento do Anuário do Ceará 2017-2018, a publicação mais antiga do Estado, uma realização O POVO com as digitais de Fábio Campos e Jocélio Leal.

Ilustradas com o primor de 11 obras belíssimas de Carlus Campus, a tecnologia Big Data conferiu mais inovação a esta edição aliando …“a nobreza do conteúdo impresso e a presteza da internet”.  E, como não podia deixar de ser, este novo Anuário de 150 anos tem a cor de Demócrito Dummar, um Don Juan das ideias fartas e humanas, arquétipo com “alma de poeta, audácia de visionário, radicalmente humano” (O POVO, 25/04/2008).

Demócrito era definitivamente novidade, impulsivamente holístico, inevitavelmente envolvente. Demócrito era disruptivo!  Com ele que aprendi cedo esta terminologia, hoje em moda para designar um tipo de inovação que supera a evolutiva, como o Big Data e Mineração de Dados, usados na produção do Anuário.

Demócrito sempre recebia os amigos com um abração por cima do ombro, e os conquistava com seu sorriso abastado em recorrentes sonhos, coloridos com a ousadia de sua inventiva… tal qual a filha, estonteante em sua noite festiva. Dava para sentir a fidelidade à tradição, vindos do punho daquela mulher que martelava no ar sua convicção, feito um cônsul romano. Disse Luciana Dummar: “Este país só vai renascer através da educação… O Anuário é a liga que une as diferenças”.

Antes de partir, cumprimentei Dummar Neto. Nosso abraço demorou mais do que nossas palavras! Disse-me ele: meu pai colocava uma “lanterna” sobre pessoas, projetos, instituições que julgava relevantes. Foi o caso do IFCE que implantou, com sua cumplicidade, diversos projetos sociais: Escola 24 horas (aulas na madrugada), a Sorveteria Zé de William (pagamento do picolé sem fiscalização), Escola Fora da Escola (alunos em projetos sociais nos bairros), o Pirambu Digital, cujo primeiro presidente tornou-se Engenheiro e aluno do mestrado do ITA, etc.

Foi uma noite memorável, simbolizada pelos “estudantes correspondentes” do projeto O POVO Educação que, a convite do Governador, subiram radiantes ao palco.

Sem ninguém perceber (nem eu próprio), fiz um discurso que só me dei conta ao chegar em casa: “Não dá pra imaginar o Ceará sem o jornal da Aguanambi 282”. Na verdade, todos se disseram o mesmo nesta noite de muito sol!

Mauro Oliveira

Prof do IFCE Aracati, Pesquisador FUNCAP

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Ah, se eu fosse milionário…

Este artigo foi publicado no jornal O POVO em 15 de julho de 2017

Como qualquer beradeiro dos anos 1970, tempo em que os jovens acreditavam numa política decente, comprei todos os discos LP (vinil) da MPB e dos Mestres.  Desde então, o violino de Vivaldi e a sanfona de Seu Luiz, filho de Januário, me cutucam feito a espada mágica de Merlin em Excalibur.

Vivaldi tem algo de inebriante. Abri minha última aula com “Inverno”, minha preferida, antes d´eu falar em bits e bytes. Um professor acaba levando à sala um pouco de sua alma momentânea.  Afinal, a aula é uma arte que imita a vida… ou será o contrário?, diria Oscar Wilde!

Perguntei a meus alunos o que fariam se fossem milionários. Já tava meio sorumbático com as respostas, até que o Nicodemos quebra a corrente, “o mundo sou eu”, e se lembra do Bill Gates. Em 2000, Gates deixa a Microsoft e cria uma Fundação que promove pesquisa sobre a aids e outros massacres aos irmãos da África. Em 2006, Warren Buffett, outro mais rico do mundo, contribui com US$ 30 bilhões, apoiando a Fundação do “concorrente”.  No século 18, John Harvard lega a metade do seu patrimônio ao que viria a ser a primeira universidade americana.

Por que no Brasil nossos bilionários não fazem parecido? Cultura, educação ou ganância? Basta reparar numa noite estrelada do Cosmos de Carl Segan e perceber que somos o “cocô do cavalo do bandido” na imensidão Láctea. Acumular, acumular, acumular… Diga aí, mah, algo mais besta do que morrer bilionário? Quem se livrou do “fogo dos infernos” e do negócio da “vida eterna” sabe bem: nada mais divino do que melhorar a vida do outro! Quem são os nossos Gates, Buffetts e Havards brasileiros… e os cearenses?

Eu me faço esta pergunta sempre que um jovem esquelético limpa o vidro do meu fusquinha 4×4, esfomeado à cata de míseros centavos que, via de regra, costumamos negar com a empáfia de um dedo indicador feito limpador de para-brisa. Quantos destes jovens, “estrelas cadentes” imundas ao léu, seriam cidadãos de bem se a soberba bilionária os iluminasse, feito a magia de Vivaldi?

Quanto custa a um bilionário dar ao jovem de rua a mesma oportunidade dada pela “Dama do Lago ao Rei Arthur”, sua nobreza, a chance divina de um jovem de rua retirar a espada cravada na pedra, sua dignidade!

Ei, e você aí, o que faria se fosse milionário?

Mauro Oliveira

Professor IFCE e pesquisador FUNCAP

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“Modéstia às favas”, Gilmar Mendes pagaria o picolé?

(Este artigo foi publicado no jornal O POVO em 17 de junho de 2017)

Nadar no mar de Canoa me acalma o espírito! Foi o que fiz de imediato quando Dona Gelita, 97 nos couros, teve uma pilora (diabeisso?) de baixar hospital. Enquanto fazia a estrada Canoa-Mucuripe, a ansiedade de encontrá-la bonita & joiada se inebriava, em minha cocuruta, ao Netflix de sua vida: seu cuidado com o rebento; sua casa próxima à Assistência Municipal, de mesa farta aos comensais; seu sorriso airoso de lavanda Johnson; uma mãe sapiens num seriado sem fim.

Divagações holísticas fizeram-se fortes como as marés de ano novo no calçadão da Beira-mar. A saga de Dona Gelita me levara a matutar sobre as oportunidades que nós alunos, professores, juízes… perdemos de melhorar o mundo. Afinal, a vida é efêmera (ou não) e inexorável (ou sim). E nos surpreende a cada momento.

Com efeito, na semana anterior tínhamos comemorado no IFCE Aracati algo singular: pela primeira vez todos os picolés da Sorveteria Zé de William foram pagos pelos alunos. Explico: nessa sorveteria, inventada pelo Engº José William da Coelce, em 1974, o aluno pega o picolé e paga R$1,00 sem fiscalização alguma, nem eletrônica, nem pessoal.

Paradoxalmente ao fato, na sexta-feira, 9 de junho, enquanto os alunos frente à Sorveteria honravam sua Escola, o presidente do TSE nocauteava seu País. Sua “obra de demolição progressiva do respeito público pela Justiça usa o escárnio agressivo como arma do facciosismo … joga no lixo provas de tribunais superiores” (Jânio de Freitas, Folha 15/06/17). Foi um trágico 4×3 (de enrubescer qualquer 7×1) na contramão de uma Justiça/MP/PF ousada que, de forma inédita na “terra brasilis”, colocara bandidos do andar de cima na mesma gaiola dos ladrões sem colarinho branco.

Coitado deste doutor das letras que se fez aprendiz da moral ao perder a fantástica oportunidade de pagar “seu picolé” diante de plateia tão carente de alento… “pátria mãe tão distraída/sem perceber que era subtraída/ em TEMERbrosas transações”. (Ah, página infeliz de nossa história… Vai passar, né, Seu Chico?)

Em tempos de corrupção, a Escola é a solução! É a frase que os alunos na Sorveteria do inesquecível Doutor Zé de William legaram ao esquecível Doutor Gilmar Mendes. O tempo lhe fará justiça… “modéstia às favas” (SIC, by Gilmar)!

Mauro Oliveira

Professor IFCE Aracati

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